Temo inteirar-me dos diagnósticos de meus males. No fundo, há amargores corroendo a alma e mágoas minando o coração. Mantenho luta renhida para conquistar a superfície e ser feliz.
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O amor sem freios pode provocar tragédias. Submetamos nossa alma a frequentes revisões.
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Redobro-me de sensatez, para sofrenar desejos rebeldes. Ainda há lugar para a prudência. Os excessos apontam abismos.
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A insuportabilidade do aprendizado está na inútil repetição do mestre aos ouvidos moucos dos indiferentes.
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Os mistérios do homem também se encontram no fato dele sentir inveja de filantropos. Como entender?
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Ser bom sempre é dar a cara ao tapa da ingratidão vez que outra. Ser bom demais sempre foi uma tentativa de suicídio.
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O bom professor só encerra a lição ao certificar-se de que seus discípulos aprenderam o ensinamento.
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Aprendemos todos os dias alguma coisa. Até os insetos ousam, de vez em quando, inpetrar-nos ensinamentos.
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O homem buscará sempre. Se encontra o objeto de sua procura perfeito e acabado, sua existência já não terá nenhuma razão.
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Feliz de quem faça, de cada dia, o reinício de sua existência.
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Não sendo um ser genuinamente bom, mas de complexidade de difícil deslinde, o que esperar do semelhante diante de nossas vitórias? Esperamos o exercício de suas virtudes ou de seus incorrigíveis vícios de relacionamento?
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Toda verdade emanada da autoridade possui valor relativo. Poucas vezes ela estará a serviço do bem, e poucas da democracia. Ela nasce pronta, prescinde das experiências morais e sociais, impondo-se a todo custo em processo silencioso e clandestino, visando atingir os desígnios do mandatário. Quanto à verdade do autoritarismo, esta é espúria e não merece comentário.
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As grandes transformações ocorrem primeiro dentro do homem, depois é que se espraiam pela sociedade.
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No processo de preservação moral e ética da sociedade é necessária a participação de todos os seus membros. Mas o tempo passa, mostrando-se difícil essa solidariedade silenciosa, condição especial para o crescimento geral. A permanecer assim, essa omissão levará o homem a chafurdar no mais imundo dos char-cos sociais.
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A fome articula a mais acertada estrategia nas guerras sangrentas.
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Não sejamos tolos perguntando obviedades, enquanto uma infinidade de respostas importantes ainda não foram dadas, em nome da evolução ética e moral do homem.
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Como viver um sonho, se à margem da paz prolifera o ódio e a violência?
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Na formação do homem, não consta que o sentimento de paz constituiu-se prevalente a muitos de seus antípodas.
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Não há paz sem pão. A fome tudo pode. O homem tem consciência disso.
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A paz só se sustenta com a coadjuvância dos atributos que lhe são essen-ciais. Ela, de per si, é tão frágil como as asas de uma borboleta.
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A instituição da paz nunca é plena, seja ela ampla, geral. Acerbos ódios hibernam nos espaços das intermitências que se instituem sempre.
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Os teus pecados, tu os levarás para sempre. Não há meio de apagá-los. A reincidência aumenta o seu peso, levando a tua consciência a embates terríveis contigo mesmo. Daí a necessidade de cautelas para que não te sobrecarregues e afaste de ti a possibilidade de alguma paz.
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A vida não seria interessante, não fosse a mescla entre os dias bons e os ruins. Como definiríamos a alegria, o prazer, a felicidade, enfim, não fossem os eventuais tombos?
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Inúmeras vezes a derrota se constitui em pressuposto de futura vitória.
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A solidão não é um estado de vida que afasta o convívio dos amigos, quando a ele nos levamos voluntariamente. O veneno está na solidão resultante da depressão.
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Não se vive sem alimentar sonhos. Eles passam a não existir com o advento da morte.
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Meus amigos conhecem meu não e meu sim. Quão difícil seria a vida, se eles não compreendessem a necessidade do uso desses advérbios nas horas certas!
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Houve bastante tempo perdido em minha vida. Mas como ficaria sem dormir?
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Enquanto o homem tiver mais medo das leis do que de sua consciência e do olhar crítico do semelhante, ele continuará sendo um merda, um covarde. Ao fim, um primitivo!
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A avassalagem que se procria nos palácios da Democracia rende inspirações doentias a certos governantes, que se imaginam donos do céu e da terra, talqualmente os imperadores nos reinados absolutistas. De vez em quando, a imaginação cede à realidade alguns despropósitos e desmandos. Este perigo estará sempre presente. Todo cuidado é pouco. O déspota sempre teimou em não ouvir as vozes das ruas, achando que a opinião pública mora à volta de sua mesa farta.
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Não há Poder Republicano que suporte investigações ri-gorosas, diante da proliferação dos ratos em seus escaninhos. É da essência pública dar de comer aos roedo-res, porque também o homem é um depredador de princípios. (2000)
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A propalada assistência social no Brasil não passa de um engodo bem articulado nos discursos palacianos. Esses oradores são insensíveis à tudo. Menos à própria fome. (1998)
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Os neo-liberais nos países de terceiro mundo pedem paciência ao povo até para serem assaltados, estuprados e sequestrados. Esses tipos de crimes não rondam palácios, sempre bem protegidos pela força pública.
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Há quinhentos e poucos anos, o Brasil se enredou em mãos de gente suspeita, comprometida com interesses inconfessáveis, que, a certa altura de suas trapalhices e a todo custo, dele se desvencilha para descansar no anonimato, distante da lista ne-gra dos entreguistas. Eles sabem como essa lista é suja! Mas não há jeito. As culpas perseguem essa morcegada de caverna, cujos dejetos, por tantos anos, representaram o único fruto de seus esforços em favor do povo. Hoje, o Brasil está aí, temeroso de que grupos de passado recente reacendam seus interesses escusos e entreguem o nosso petróleo, principalmente o nosso petróleo, às garras ambicioneiras do capital estrangeiro. Que o povo fique muito atento! Cada um desses abutres anseiam forrar os cofres para a posteridade, visando a paz e a tranquilidade de filhos, netos e bisnetos com dinheiro egresso de propinas internacionais. Para esses cafajestes, pouco importa que a História urine sobre seus nomes. Quem não conhece o espírito do patife das alfombras?

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