Corajosamente, povos inteiros entregaram-se ao cadafalso, em detrimento à capitulação, em repúdio contundente à expectativa de transformarem-se em escravos.
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Repugno a estratégia dos que titubeiam. Nunca saem da casamata; jamais disparam tiros. E adoram acordo de comadres!
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As virtudes são graças conquistadas por poucos. Na maioria dos casos, o que vemos são arremedos de virtuosos, para cujo exercício se prestam alguns visando retorno redobrado.
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O crápula é ridicularizado pelo travesseiro, na hora de dormir.
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A ardência das baixezas anda a substituir a dos ideais.
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Faz tempo, mas muito mesmo, que ressoam discursos citando fábulas de roedores. E quem aprende com quem, nesse universo de dentes afiados?
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Minhas fúrias restringem-se às ameaças à minha liber-dade.
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Há quem prefira colocar o circo no fogo. Incendeia mais depressa.
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O talento dos déspotas tampona a boca dos livres, mas nunca seu pensamento.
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Estou convicto do perigo em que se constituem as certezas absolutas.
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Há pulhas de sombreiro esperando a banda passar. Deve ser angustiante essa expectativa!
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Justiça de compadres é como galinha atropelada: de moral, nem as penas se aproveitam.
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Cada um na sua. Ostra não possui nadadeiras.
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Nunca dei maior curso à mentira. Sempre me quedei no equivalente ao seu comprimento. Há profissionais para o mister de dar-lhe pernas e asas.
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O amanhã é a esperança de resultados satisfatórios. O riso do chacal não tem maiores significados. Repudio o seu estardalhaço.
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São felizes os que edificam felicidade no coração dos semelhantes. Ganharão o céu em vida.
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Há muita gente embriagada pela filosofia dos oportunistas. Morrerão de cirrose moral, diante de séria crise de remorso.
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Há governantes que ojerizam a liberdade popular. Restar-lhes-ão, apenas, um palito com fósforo e uma cesta de lixo, na hora do pega para capar.
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Há quem acredite num amanhã mais feliz. Outros há que constroem este amanhã. Apliquemos nestes últimos; são os soldados da paz.
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Reservo-me diante dos oceanos, para orar em torno do desconhecido. A claridade dos espíritos não ilumina debalde.
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Os homens são fortes para modificar o mundo. Mas têm sido débeis para gestos de humildade!
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Inadvertidamente, teria convivido com crápulas. Jamais, porém, fiz apologia de suas obras.
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Ninguém será totalmente feliz em nome de uma impunidade sem volta. Os pecados serão pesados; as covardias, publicadas. É inexorável o advento desse dia.
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A felicidade não chega às almas entregues. Onde não haja esperança, viceja a tristeza.
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Já foi o tempo em que se deitavam tapetes à escória comprometida com a desgraça popular. Hoje, seus no-mes são pichados nas esquinas. Só os
puxa-sacos, os imorais e os beneficiários dos apadrinhamentos fazem referências elogiosas a essa cambada de patifes. Esquecia: Também os imbecis aliaram-se à corja, para, entre outras coisas, promover a concessão de tréguas
eleitorais.
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Há homens irredutíveis. Ratificam suas ignomínias, seus desmandos, suas falcatruas, sua incompetência e o que mais de anômalo exsurja de suas condutas alienadas. Agem, como se praticassem favores institucionais e atendessem aos regramentos sócio-jurídicos. Este "ledo engano" é a teatralidade a que se permitem os que usam e abusam de uma democracia doente e espezinhada. (1990)
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Nas ações de apadrinhamento e de favores, os políticos têm cara de aproveitadores. Olhe-se dentro de seus o-lhos. Verificar-se-á que gostam de confundir o alheio com o seu; professam o princípio de que "o tempo é curto" e "agir é necessário, quando haja pouca esperança de subir na vida por esforço próprio".
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A frequência de meus enganos com o homem transformou-se numa rotina. Impacta, sim, quando me engano comigo mesmo.
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Há mulheres mal compreendidas e mulheres mal-amadas. No primeiro caso, ainda há possibilidade de correção de rumo; no segundo, porém, resta ao homem tirar o cavalo da chuva e rezar. Ou aumentar o vão da porta!
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A crítica do invejoso é perversa. Há ódio embutido em cada vírgula do que diz. Não basta cortar sua língua, pois a perversidão mora na alma. Rezemos todos os dias para o advento de limites no processo da reencarnação.
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O caminho da eternidade será agradável para os edificadores do bem. Que os demais não esperem bombons.
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O amor será um engodo, caso não abrigue sentido duradouro nas ações levadas a efeito em seu nome.
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O homem inteiro não titubeará diante de um exército de pulhas.
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Ao se tratar do ensino público, o técnico, não o político, dará a última palavra. Não se preparam gerações com engodo.
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No subsolo mental dos donos do Poder paira a fedentina dos dejetos da hipocrisia. É por isso que Brasília ora cheira bem, ora cheira mal. (1997)
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Do debate entre políticos, sobram-nos indagações, incredulidade e perplexidade. Como conseguem, como num jogo de tênis de mesa, lançar tanta hipocrisia um ao outro, sem que se indignem por um só instante? Quando o fazem, não negam perpetrar um jogo para os eleitores, em repugnante teatralidade. Os tempos mudaram! Amanheceremos sempre assim? Quero ter a certeza de que não!
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A Educação e a Cultura no Brasil defrontam-se com o fosso. Educadores, Escritores e Artistas em geral foram colocados em segundo plano, em favor dos políticos, que, aliás, andam dando banho de teatralidade nos atores profissionais. São os tempos!
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Pelos meus caminhos, a incompetência não encontra retorno. Para os abnegados do ócio e das benesses governamentais - parasitas imundos -, guardo abismos.
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Os governos festejam. Mas, sejamos sinceros: a maior farsa republicana ainda é a promessa de reforma agrária, levada a efeito pelos insinceros do Poder.
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Surgirá um herói de verdade (ressuscitaria de túmulo antigo?), exemplificando covardes, omissos e paranóicos da República. (1991)
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Não mudo de opinião, tangente às ações dos néscios da prepotência. Conhecendo-os melhor, aprofundando-me em suas almas presunçosas, repudia-los-ei com mais intensidade.
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Um ampla reforma na conceituação da pena levará, finalmente, os corruptos a uma segregação exemplificadora. Do jeito que está, os crápulas dão risadas da fragilidade judicial.(1988)

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