sábado, 26 de setembro de 2009

PENSAMENTOS DE ANTONIO KLEBER

Em dia de caranguejo, pouco siri.
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Detesto perguntas fúteis. Há respostas que nascem com o homem.
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Ao deitar-se, o crápula é ridicularizado pelo travesseiro.
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O padecimento da alma transluz remissão de pecados. Porém, tolo será aquele que, imaginando-se livre das punições inflexíveis do destino, transforme sua vida em novo roseiral de desatinos. Há mistérios dando conta de que sempre haverá verdugos de plantão. Cuidem-se os negligentes. Remissão de pecados não concede carta de alforria!
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Virtudes são graças conquistadas por poucos. O que vemos de ordinário são arremedos de virtudes, para cu-jo exercício se prestam alguns objetivando interesses inconfessáveis.
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Repugno a estratégia do titubeador. Quase nunca sai da casamata. Jamais dispara tiros.
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Corajosamente, povos inteiros entregaram-se ao cadafalso, em detrimento à capitulação, num repúdio contundente à expectativa de transformarem-se em escravos.
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A reforma da conceituação da pena poderá, finalmente, pendurar os corruptos na segregação exemplificadora. Do jeito que está, a delinquência gargalha.
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"Todos são iguais perante a lei". Faz tempo que comem gato por lebre, tangente à criminalidade.
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Todos os dias, engodadores assumem a tribuna republicana e enchem os ouvidos e a paciência do povo com idiotices. Existe uma platéia oligofrênica batendo palmas. A Democracia necessita a coadjuvância de um nosocômio psiquiátrico.
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Acendo velas às sextas-feiras. Conheço as galinhas pretas do meu caminho.
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A insônia dos mentiroso deriva das baratas do esgoto da inconsciência. A ascendência brota imunda; indica que a verdade genética urra no instante do exercício da fisiologia irrefreável do animal. Resumo: O mentiroso é um reles diante das estrelas.
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A possibilidade de realização plena da alma existe naqueles que desejam a felicidade alheia.
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Nem todos trazem a mente iluminada. Alguns nasceram e vivem nas escuridades. É mais um jogo que aos poucos se desvenda no processo da criação.
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Nunca me importei com o gosto atrofiado de alguns críticos.
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Aquele que teme denunciar erros, que corte a língua. É melhor do que passar por pusilânime sistematicamente.
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Brasil, país do cargo comissionado. Não conceberíamos dicionários sem o vocábulo ‘nepotismo’. Há outros tantos bem definidos, abrindo as portas do serviço público aos oportunistas do afilhadismo. Enquanto isso, em algum salão palaciano, políticos-filólogos oportunizam aos nossos dicionaristas novas criações. De safadeza em safadeza, o Brasil constrói o maior comboio ferroviário da alegria de que se tem notícia na História Universal. (1996)
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Pecadores não batem palmas às promessas de penitências. Eis a razão de vaias aparentemente inexplicáveis.
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A poesia nos permite viagens por caminhos fantásticos, de cujos trajetos jamais gostaríamos de sair.
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Quando o homem age com consciência e voluntariedade, não deixa rastros duvidosos, seja qual for o conteúdo da ação.
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Não me importo com o gosto atrofiado de alguns críticos. Escrevo para pessoas comuns.
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Os vaidosos não se contentam em ser. Eles querem exclusividade, destaque e massagem.
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Diante do discurso da mediocridade, toda a surdez será homenageada.
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Não me habilito às grandes amizades. Conheço bem a história dos rompimentos.
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As tentações que fascinam encontram-se na natureza milenar que move à vida e à eternidade, não nos homens, meros usuários daquelas benesses.
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Saudável segredo é o que trazemos a sete chaves, indicando-nos como fugir dos chatos e seus correlatos.
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Só quem superou as tentações viscerais estará apto a enfrentar os caminhos da vida e sentenciar sobre os erros do semelhante.

O ciúme é um ligeiro desconforto que habita entre o amor e o ódio.
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Ninguém volta de graça. Sempre haverá cobranças pelo retorno.
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Quando todos se aborrecem diante do discurso da verdade, pressagia-se a deflagração breve de duros confrontos.
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Somente quem passa pelo inferno de certos instantes capacita-se à avaliação da intensidade do sofrimento. O resto é conversa inútil.
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Nenhum homem livre sente paixão por déspotas. Seu sentimento é de asco.
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Entrego-me ao calor da amizade pura, escoltado pelo apreço nutrido pelos que olham nos olhos, transmitindo confiança e verdade.
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As boas sentenças fazem justiça, ao invés de homenagear a jurisprudência do formalismo.
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Repugna a idéia de que a condição análoga a de escravo traga felicidade. Essa condição subserviente não favorece a outro sentimento que não o da dor moral.
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A submissão exitosa é o combustível que anima as festas protagonizadas pelos lacaios.
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Há uma corriola de terno e gravata que não teve infância. Em consequência, passa as horas vagas (que são muitas) fazendo traquinagens com coisa séria. O pior é que não respeitam a hombridade alheia. De vez em quando, vemos um desses irresponsáveis com a cara na lama.
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A recidiva dos imbecis requer rudeza de tratamento.
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Perdoar não significa emprestar condescendência ao perdoado. Em muitos casos, ao perdão segue-se o desprezo.
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Há governantes que odeiam a pecha de ditador. Sob o fundamento de que a democracia só se legitime mediante o respaldo popular, não há saída para esse tipo de intromissão política. O resto é conversa fiada de
megalomaníaco ou aproveitador.
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Poucos se movem às pugnas populares por ideal. Atrás da maioria segue o pior inimigo do povo: o interesse inconfessável. Como, porém, acordar a tempo? É difícil. A máscara só cai após arrombado o cofre. Mesmo assim...
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Não acredito na presunção de capacidade de certos profissionais, só pelo fato de dependurarem na parede um diploma de conclusão de curso técnico ou superior. Essa crença tem levado gente tanto para trás das grades, quanto para o túmulo.
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Os donos das verdades absolutas, deixo-os falando so-zinhos. Ou com as estrelas.
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No torvelinho das grandes paixões, as infidelidades costumam passar despercebidas.
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Não escondo as necessidades proibidas. O veículo das minhas andanças é feito de carne e osso. O combustível é a liberdade sem fronteiras.
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As amizades puras não pagam ingresso para frequentar o festival das minhas emoções.
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Os fenômenos naturais guardam muitos segredos. Todos os dias, fatos e acontecimentos mancheteiam verdades indissolúveis.
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A pureza da alma sempre se permitiu a certas oscilações entre quatro paredes.
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A serenidade é causa de tempestades avassaladoras. Poucos conhecem a matéria-prima da paz.
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Em certos homens, a pureza é questão de tempo. O verbo experimentar passa a ser mais forte que qualquer ambiente monástico, no momento em que a natureza exija sua conjugação.
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Ninguém sustenta a mente tão purificada, considerando-se a vida uma plenitude de paz. A convivência exige resgates. Certos estados da alma só são alcançados numa caverna, em plena solidão, após alguns anos de exílio voluntário.
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O homem é o centro de todas as coisas, portanto, o maior responsável pelos desastres periféricos.
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Os mandatários de republiquetas se caracterizam pelos inúmeros conchavos políticos de que participam, ora aquiescentes diante de pedidos inescrupulosos, ora inebriados com a captação de aliados pusilânimes e aproveitadores. Os partidos políticos dessas aldeolas são formados por trânsfugas, cujas bandeiras incolores somente tremulejam diante da oferta de poder.
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Não mentalizo amizades supérfluas. Irritam-me lembranças fúteis.
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Desprezo a sapiência astuta. Aprendi que os caminhos dos sábios são feitos de algodão doce e simplicidades.
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A honra consolidada e a verdade são muralhas intransponíveis, diante das dúvidas da mediocridade.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PENSAMENTOS DE ANTONIO KLEBER MATHIAS NETTO

A certeza do que somos não tem o condão de transformar-nos em onipotentes. Somos todos elos que, individualmente, não passamos de subsídios. Alguns não pensam assim. Mas o que seria da platéia, se não existissem esses saltimbancos de merda? Continuo acreditando que as coisas estejam no seu lugar. Quer dizer, algumas.
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Nutro infinita vocação para abraçar as humildades. Lamento que, de vez em quando, não sobre outra alternativa, senão o escarro. As infinitudes, tratando-se de sentimentos, não são absolutas, principalmente diante das indignidades.
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Sempre guardo trunfos para aniquilar donos de meias-verdades.
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Agasta-me verificar a proliferação dos enganadores.
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Abrir a alma não significa que se deixem abertas as portas dos segredos.
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O grande aprendizado ainda está no espinho. Vencer sempre é tedioso.
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A melhor trama não está às voltas com o amor perfeito, mas com a conquista difícil.
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Há cidades merecedoras de certo tipo de político, misto de homem e palhaço, velhaco e corrupto. Nelas, o século se atrasa um século para passar. Ao depois, não adiantam ampulhetas.

PENSAMENTOS DE ANTONIO KLEBER MATHIAS NETTO

Corajosamente, povos inteiros entregaram-se ao cadafalso, em detrimento à capitulação, em repúdio contundente à expectativa de transformarem-se em escravos.
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Repugno a estratégia dos que titubeiam. Nunca saem da casamata; jamais disparam tiros. E adoram acordo de comadres!
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As virtudes são graças conquistadas por poucos. Na maioria dos casos, o que vemos são arremedos de virtuosos, para cujo exercício se prestam alguns visando retorno redobrado.
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O crápula é ridicularizado pelo travesseiro, na hora de dormir.
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A ardência das baixezas anda a substituir a dos ideais.
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Faz tempo, mas muito mesmo, que ressoam discursos citando fábulas de roedores. E quem aprende com quem, nesse universo de dentes afiados?
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Minhas fúrias restringem-se às ameaças à minha liber-dade.
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Há quem prefira colocar o circo no fogo. Incendeia mais depressa.
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O talento dos déspotas tampona a boca dos livres, mas nunca seu pensamento.
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Estou convicto do perigo em que se constituem as certezas absolutas.
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Há pulhas de sombreiro esperando a banda passar. Deve ser angustiante essa expectativa!
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Justiça de compadres é como galinha atropelada: de moral, nem as penas se aproveitam.
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Cada um na sua. Ostra não possui nadadeiras.
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Nunca dei maior curso à mentira. Sempre me quedei no equivalente ao seu comprimento. Há profissionais para o mister de dar-lhe pernas e asas.
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O amanhã é a esperança de resultados satisfatórios. O riso do chacal não tem maiores significados. Repudio o seu estardalhaço.
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São felizes os que edificam felicidade no coração dos semelhantes. Ganharão o céu em vida.
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Há muita gente embriagada pela filosofia dos oportunistas. Morrerão de cirrose moral, diante de séria crise de remorso.
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Há governantes que ojerizam a liberdade popular. Restar-lhes-ão, apenas, um palito com fósforo e uma cesta de lixo, na hora do pega para capar.
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Há quem acredite num amanhã mais feliz. Outros há que constroem este amanhã. Apliquemos nestes últimos; são os soldados da paz.
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Reservo-me diante dos oceanos, para orar em torno do desconhecido. A claridade dos espíritos não ilumina debalde.
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Os homens são fortes para modificar o mundo. Mas têm sido débeis para gestos de humildade!
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Inadvertidamente, teria convivido com crápulas. Jamais, porém, fiz apologia de suas obras.
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Ninguém será totalmente feliz em nome de uma impunidade sem volta. Os pecados serão pesados; as covardias, publicadas. É inexorável o advento desse dia.
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A felicidade não chega às almas entregues. Onde não haja esperança, viceja a tristeza.
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Já foi o tempo em que se deitavam tapetes à escória comprometida com a desgraça popular. Hoje, seus no-mes são pichados nas esquinas. Só os
puxa-sacos, os imorais e os beneficiários dos apadrinhamentos fazem referências elogiosas a essa cambada de patifes. Esquecia: Também os imbecis aliaram-se à corja, para, entre outras coisas, promover a concessão de tréguas
eleitorais.
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Há homens irredutíveis. Ratificam suas ignomínias, seus desmandos, suas falcatruas, sua incompetência e o que mais de anômalo exsurja de suas condutas alienadas. Agem, como se praticassem favores institucionais e atendessem aos regramentos sócio-jurídicos. Este "ledo engano" é a teatralidade a que se permitem os que usam e abusam de uma democracia doente e espezinhada. (1990)
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Nas ações de apadrinhamento e de favores, os políticos têm cara de aproveitadores. Olhe-se dentro de seus o-lhos. Verificar-se-á que gostam de confundir o alheio com o seu; professam o princípio de que "o tempo é curto" e "agir é necessário, quando haja pouca esperança de subir na vida por esforço próprio".
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A frequência de meus enganos com o homem transformou-se numa rotina. Impacta, sim, quando me engano comigo mesmo.
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Há mulheres mal compreendidas e mulheres mal-amadas. No primeiro caso, ainda há possibilidade de correção de rumo; no segundo, porém, resta ao homem tirar o cavalo da chuva e rezar. Ou aumentar o vão da porta!
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A crítica do invejoso é perversa. Há ódio embutido em cada vírgula do que diz. Não basta cortar sua língua, pois a perversidão mora na alma. Rezemos todos os dias para o advento de limites no processo da reencarnação.
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O caminho da eternidade será agradável para os edificadores do bem. Que os demais não esperem bombons.
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O amor será um engodo, caso não abrigue sentido duradouro nas ações levadas a efeito em seu nome.
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O homem inteiro não titubeará diante de um exército de pulhas.
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Ao se tratar do ensino público, o técnico, não o político, dará a última palavra. Não se preparam gerações com engodo.
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No subsolo mental dos donos do Poder paira a fedentina dos dejetos da hipocrisia. É por isso que Brasília ora cheira bem, ora cheira mal. (1997)
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Do debate entre políticos, sobram-nos indagações, incredulidade e perplexidade. Como conseguem, como num jogo de tênis de mesa, lançar tanta hipocrisia um ao outro, sem que se indignem por um só instante? Quando o fazem, não negam perpetrar um jogo para os eleitores, em repugnante teatralidade. Os tempos mudaram! Amanheceremos sempre assim? Quero ter a certeza de que não!
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A Educação e a Cultura no Brasil defrontam-se com o fosso. Educadores, Escritores e Artistas em geral foram colocados em segundo plano, em favor dos políticos, que, aliás, andam dando banho de teatralidade nos atores profissionais. São os tempos!
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Pelos meus caminhos, a incompetência não encontra retorno. Para os abnegados do ócio e das benesses governamentais - parasitas imundos -, guardo abismos.
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Os governos festejam. Mas, sejamos sinceros: a maior farsa republicana ainda é a promessa de reforma agrária, levada a efeito pelos insinceros do Poder.
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Surgirá um herói de verdade (ressuscitaria de túmulo antigo?), exemplificando covardes, omissos e paranóicos da República. (1991)
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Não mudo de opinião, tangente às ações dos néscios da prepotência. Conhecendo-os melhor, aprofundando-me em suas almas presunçosas, repudia-los-ei com mais intensidade.
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Um ampla reforma na conceituação da pena levará, finalmente, os corruptos a uma segregação exemplificadora. Do jeito que está, os crápulas dão risadas da fragilidade judicial.(1988)
Temo inteirar-me dos diagnósticos de meus males. No fundo, há amargores corroendo a alma e mágoas minando o coração. Mantenho luta renhida para conquistar a superfície e ser feliz.
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O amor sem freios pode provocar tragédias. Submetamos nossa alma a frequentes revisões.
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Redobro-me de sensatez, para sofrenar desejos rebeldes. Ainda há lugar para a prudência. Os excessos apontam abismos.
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A insuportabilidade do aprendizado está na inútil repetição do mestre aos ouvidos moucos dos indiferentes.
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Os mistérios do homem também se encontram no fato dele sentir inveja de filantropos. Como entender?
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Ser bom sempre é dar a cara ao tapa da ingratidão vez que outra. Ser bom demais sempre foi uma tentativa de suicídio.
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O bom professor só encerra a lição ao certificar-se de que seus discípulos aprenderam o ensinamento.
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Aprendemos todos os dias alguma coisa. Até os insetos ousam, de vez em quando, inpetrar-nos ensinamentos.
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O homem buscará sempre. Se encontra o objeto de sua procura perfeito e acabado, sua existência já não terá nenhuma razão.
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Feliz de quem faça, de cada dia, o reinício de sua existência.
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Não sendo um ser genuinamente bom, mas de complexidade de difícil deslinde, o que esperar do semelhante diante de nossas vitórias? Esperamos o exercício de suas virtudes ou de seus incorrigíveis vícios de relacionamento?
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Toda verdade emanada da autoridade possui valor relativo. Poucas vezes ela estará a serviço do bem, e poucas da democracia. Ela nasce pronta, prescinde das experiências morais e sociais, impondo-se a todo custo em processo silencioso e clandestino, visando atingir os desígnios do mandatário. Quanto à verdade do autoritarismo, esta é espúria e não merece comentário.
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As grandes transformações ocorrem primeiro dentro do homem, depois é que se espraiam pela sociedade.
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No processo de preservação moral e ética da sociedade é necessária a participação de todos os seus membros. Mas o tempo passa, mostrando-se difícil essa solidariedade silenciosa, condição especial para o crescimento geral. A permanecer assim, essa omissão levará o homem a chafurdar no mais imundo dos char-cos sociais.
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A fome articula a mais acertada estrategia nas guerras sangrentas.
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Não sejamos tolos perguntando obviedades, enquanto uma infinidade de respostas importantes ainda não foram dadas, em nome da evolução ética e moral do homem.
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Como viver um sonho, se à margem da paz prolifera o ódio e a violência?
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Na formação do homem, não consta que o sentimento de paz constituiu-se prevalente a muitos de seus antípodas.
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Não há paz sem pão. A fome tudo pode. O homem tem consciência disso.
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A paz só se sustenta com a coadjuvância dos atributos que lhe são essen-ciais. Ela, de per si, é tão frágil como as asas de uma borboleta.
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A instituição da paz nunca é plena, seja ela ampla, geral. Acerbos ódios hibernam nos espaços das intermitências que se instituem sempre.
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Os teus pecados, tu os levarás para sempre. Não há meio de apagá-los. A reincidência aumenta o seu peso, levando a tua consciência a embates terríveis contigo mesmo. Daí a necessidade de cautelas para que não te sobrecarregues e afaste de ti a possibilidade de alguma paz.
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A vida não seria interessante, não fosse a mescla entre os dias bons e os ruins. Como definiríamos a alegria, o prazer, a felicidade, enfim, não fossem os eventuais tombos?
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Inúmeras vezes a derrota se constitui em pressuposto de futura vitória.
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A solidão não é um estado de vida que afasta o convívio dos amigos, quando a ele nos levamos voluntariamente. O veneno está na solidão resultante da depressão.
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Não se vive sem alimentar sonhos. Eles passam a não existir com o advento da morte.
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Meus amigos conhecem meu não e meu sim. Quão difícil seria a vida, se eles não compreendessem a necessidade do uso desses advérbios nas horas certas!
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Houve bastante tempo perdido em minha vida. Mas como ficaria sem dormir?
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Enquanto o homem tiver mais medo das leis do que de sua consciência e do olhar crítico do semelhante, ele continuará sendo um merda, um covarde. Ao fim, um primitivo!
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A avassalagem que se procria nos palácios da Democracia rende inspirações doentias a certos governantes, que se imaginam donos do céu e da terra, talqualmente os imperadores nos reinados absolutistas. De vez em quando, a imaginação cede à realidade alguns despropósitos e desmandos. Este perigo estará sempre presente. Todo cuidado é pouco. O déspota sempre teimou em não ouvir as vozes das ruas, achando que a opinião pública mora à volta de sua mesa farta.
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Não há Poder Republicano que suporte investigações ri-gorosas, diante da proliferação dos ratos em seus escaninhos. É da essência pública dar de comer aos roedo-res, porque também o homem é um depredador de princípios. (2000)
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A propalada assistência social no Brasil não passa de um engodo bem articulado nos discursos palacianos. Esses oradores são insensíveis à tudo. Menos à própria fome. (1998)
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Os neo-liberais nos países de terceiro mundo pedem paciência ao povo até para serem assaltados, estuprados e sequestrados. Esses tipos de crimes não rondam palácios, sempre bem protegidos pela força pública.
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Há quinhentos e poucos anos, o Brasil se enredou em mãos de gente suspeita, comprometida com interesses inconfessáveis, que, a certa altura de suas trapalhices e a todo custo, dele se desvencilha para descansar no anonimato, distante da lista ne-gra dos entreguistas. Eles sabem como essa lista é suja! Mas não há jeito. As culpas perseguem essa morcegada de caverna, cujos dejetos, por tantos anos, representaram o único fruto de seus esforços em favor do povo. Hoje, o Brasil está aí, temeroso de que grupos de passado recente reacendam seus interesses escusos e entreguem o nosso petróleo, principalmente o nosso petróleo, às garras ambicioneiras do capital estrangeiro. Que o povo fique muito atento! Cada um desses abutres anseiam forrar os cofres para a posteridade, visando a paz e a tranquilidade de filhos, netos e bisnetos com dinheiro egresso de propinas internacionais. Para esses cafajestes, pouco importa que a História urine sobre seus nomes. Quem não conhece o espírito do patife das alfombras?


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pensamentos de Antonio Kleber

Criatividade, honestidade, coragem e competência. Esses são os ingredientes que não se juntam na sopa chamada Brasil. É não é por culpa do cozinheiro.
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A ganância fiscal é uma víbora que só pica os calcanhares da classe média para baixo. Acima, todos usam perneiras e outras proteções.
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Há caminhos que não me servem, não dizem da minha essência. Não os quero sob meus pés. A contrariedade me desatina.
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Felizes os imbecis e suas conclusões sobre a vida e a morte. Sempre acham tudo normal.
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O fraudador tapeará indefinidamente; infinita é a capacidade dos engodadores de ilaquear a boa-fé dos esperançados.
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A militância dos desajustados só obedece a um freio: o do caos.
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Terceira idade é rótulo emprestado por aqueles que não acreditam nas consequências do minuto seguinte. O que existe numa determinada quadra da existência é frustração e proximidade da morte. O resto é cantoria de sofismas.
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A poesia labirintosa sufraga intenções suspeitas, não mostra o caminho das estrelas.
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Não haverá complacência com os erros, a fim de que não se protraiam sofrimentos.

Pensamentos de Antonio Kleber

Não há quem, tendo sido vítima de torturas, não traga a imaginação repleta de imagens vinditosas. Como, por exemplo, o torturador nu e escalpelado, sobre formigas carnívoras.
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O futuro preconizado pelos políticos permanece objeto da ilusão de muita gente. Comprova-se que o sonho dessa gente é o poder e as vantagens pessoais daí emergentes. O povo, entretanto, gosta de se ver envolvido pelos ilusionistas dos palácios. Nessa festa, quem não consegue tirar coelhos de cartola será desqualificado e banido. É assim que a banda toca.
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Ignorar o passado, um pouco mais ou um pouco menos, estabelece o tamanho do vazio instalado no homem.
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A inteligência será exercitada sempre, seja antes, durante ou após as emoções.
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Muita gente se imagina dona da chave de todos os segredos. Admoestam pelo prazer mórbido de demonstrar a supremacia de seus princípios. Comportamento intragável.
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Muitas vezes, imputam-te inteligência superior, com o escopo de convencer-te a aceitar certas idéias ou mover-te a agir dessa ou daquela maneira, ao gosto do instigador. Inexitoso o convencimento, tentam provar que, malgrado a tua inteligência superior, há certos momentos em que a consciência embota. Por isso, procures te adequar a certos conceitos e condutas, a fim de que se demonstre, de pronto, a ausência de emburrecimento. É uma merda aturar os teimosos e certinhos da vida!
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As amizades supérfluas merecem meu aceno. Não importa o grau de hipocrisia. Também do automatismo constrói-se a indiferença.
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Há políticos egressos do mais puro rebotalho. Representam emergências de águas estagnadas. E ainda lhes sobram aplausos, pois algo fede entre o coração e a alma.
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Desprezo certas contrariedades e caras feias. Prefiro o exercício de minhas rebeldias, que não conhecem grilhões e chicotes.
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Muitos conhecem e proclamam os caminhos da salvação. O surpreendente é que o diabo inaugure, com frequência inaudita, sucursais de seu reino.
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No Brasil, não há delinquência na classe A. As leis penais foram feitas para ladrões de galinha. Lá por cima, há leis especiais, sempre mal digeridas nos processos criminais. Eis porque se torna difícil colocar um criminoso do colarinho branco no xilindró.
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O poeta tem o seu mundo especial. Nele só ingressam os eleitos. Geralmente, está sempre deserto, para felicidade do vate.
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Definitivamente, não somos donos de parte da nossa vida. Acontece que muita gente confunde essa parcela disponível para intrometer-se em áreas proibidas da alma humana, culminando em sérios desacertos.
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Para cada circunstância importante em nossa vida, há sempre um último trem partindo da estação. Felizes os que não perderam nenhum deles.
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Há sombras etiquetando almas perdidas, enquanto arquivos inteiros catalogam frustrações.
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A Administração Pública demonstra visível incompetência gerencial. O povo ainda não despertou para a necessidade de eleger mandatários qualificados moral e profissionalmente. Eis porque quase tudo no Brasil tem a cara do eleitorado. Está na hora de proceder-se a uma operação plástica.
Há um sentido de violência tão forte no aparato policial brasileiro, que a população, hoje, nutre temor, ao invés de respeito e segurança, em sua presença.
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Mais hoje, mais amanhã, acordaremos ao canto de hinos com letras ameaçadoras, caso não se atendam aos reclamos sociais. A saúde, a previdência social e o setor fundiário teimam em dar nó na garganta dos governantes medíocres.(1996)
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Meus desejos são particularíssimos. Qualquer intensidade que os faça aflorar é logo abafada, em nome de meus limites. Mantenho minhas reservas sob férreo comando; sei direcioná-las ao desaguadouro. Eis porque meus olhos encontram-se quase sempre perdidos no outro lado do muro.
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O homem é uma farsa aos seus próprios botões. Chega o tempo em que alguns se levam à religião, outros à psicanálise, muitos ao suicídio. Meu conselho aos que não acordam à realidade? Fodam-se!
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A vassalagem do governo autoritário constitui-se de delinquentes pós-graduados. Sustentam-se de políticas regionais opressoras, demagógicas e corruptas, destacando-se a perseguição aos fracos e vencidos politicamente, faceta denotativa de consciências degeneradas. Que tal passarmos um filme em praça pública sobre a trajetória desses energúmenos palacianos?(1979)
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É preciso desratizar os bastidores das licitações levadas a efeito pelos órgãos públicos tupiniquins. Quem tem coragem?(1988)
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Não vejo certas pessoas deprimidas, mas putas da cara com os abusos sem freio.(2000)
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Quase todos estão convictos de que haja solução para os problemas alheios. A humanidade é um balcão de conselhos. Há os que preferem ficar na assistência, indiferentes aos projetos que passam sempre pela metade, rindo dessa capacidade desenfreada do homem de bancar o arquiteto do destino alheio.
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Em nome da boa educação, tem-se sido gentil em detrimento das rebeldias fundamentais. Manter-se fiel aos postulados da civilização significa, muitas vezes, uma perigosa proximidade dos abismos.
algo estranho num País onde todos desconfiam de todos. Pior, onde sistematicamente se nomeiam ratos para guardiãos do queijo.(1997)
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Ao magistrado indigno, pena triplicada. É inadmissível ao aplicador da Lei revelar-se agente de falcatruas. Além da perplexidade popular, ele protagoniza lesões de difícil reparação na estatura do Poder, cujo histórico evidencia a aquisição de honrosos lauréis desde a sua instituição no País. Cabe ao próprio Judiciário defenestrar, de pronto, esses corós de estrebaria. Para tal mister, desatrelar-se-á de todo e qualquer corporativismo. Frutas podres irão ao lixo, para não contaminar as sãs. Este é o ditado.
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Vigiem-se os mal-educados e pachorrentos do serviço público; ao fim da paciência, remetam-nos a um local próximo ao inferno.
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As autoridades públicas gritam, berram, ameaçam, enfim, teatralizam o mais que podem, quando exigidas a tomar providências contra os desmazelos. Mas fica nisso, pois a pusilanimidade é sua marca mais frequente.
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No Nordeste, planta-se muita maconha. A polícia sabe exatamente onde se localizam as lavouras, assim como conhece seus proprietários. Abisma que se destrua toda a plantação, mas não se consiga por as mãos num só dos produtores-traficantes. Comenta-se que, antes das diligências, a tropilha delinquente tome ciência de tudo e foge. Instauremos a pena de morte para certos funcionários públicos!
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É possível um detentor de cargo eletivo ser chamado de ladrão nas ruas e não reagir? Pior: Sair dando de ombros, como se nada acontecesse contra sua honra? Sim, é possível. Talvez, por isso mesmo, quase sempre se reelejam.
O guri era mal, traquejado em furar olho de passarinho com espinho de tuna. Depois, soltava a ave à própria sorte. Terminou ministro da fazenda! (1984)
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Há dois tipos de jornalistas: aquele que o leitor consulta todo o tempo, decorrência da credibilidade de seu trabalho informativo, e aquele sobre cujos artigos o leitor sequer lança os olhos. No Brasil, passaríamos um dia in-teiro enumerando o segundo tipo.
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Se a economia brasileira dependesse dos palpites de certos jornalistas para crescer, estaríamos perdidos. Têm o vezo de se manifestarem quando os problemas se tornam críticos ou não haja mais jeito de consertar os estragos. Se tudo está bem, não há um desses profissionais que apresente modelo econômico menos passível de sofrer desgastes, com as consequências conhecidas. São os balaqueiros de plantão.
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Os palpiteiros da redação adoram perorar em nome de soluções que, dadas na ocasião correta, quantas vezes evitariam desastres. Acontece que os opiniosos só aparecem depois que a casa cai., reclamando de manchetes! São os cabos eleitorais do diabo!
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Para administrar um país como o Brasil não basta possuir diplomas. Certo Presidente da República, professor de Língua Portuguesa, leitor assíduo de jornais e revistas, autor de livros sobre literatura, gramática, filologia, linguística, enfim, um intelectual de escol, renunciou ao cargo em poucos meses de governo. Não conseguiu manter firmes as rédeas administrativas. Não desejo que o meu País fique nas mãos de gente incompetente, cuja maior capacidade encontra-se no exercício da demagogia, da bazófia e da hipocrisia, sem falar nos interesses escusos! (1994)
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Há jornais que não merecem leitura. Parciais, aprofundam-se na política-partidária nojenta, rejeitando obviedades, desprezando números, iludindo-se com o próprio umbigo e injuriando homens de boa-fé. Particularmente, escolho minhas leituras. Não gosto de seguir passos desnorteados, como os de certos jornalistas tendenciosos, que fazem da redação um diretório político-partidária.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

PENSAMENTOS DE ANTONIO KLEBER MATHIAS NETTO

As penitenciárias estão cheias de ladrões de batatas. Os finórios dos cofres públicos têm certeza de que tais dependências não se coadunam com seus finos tratos.
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A maioria dos políticos constitui-se numa piada que, em Portugal, faz festa nos botequins.
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Nos países de homens sérios, aprovam e promulgam leis para atender às necessidades gerais da sociedade. No Brasil, não poucas vezes, aprovam-se textos para resolver problemas pessoais dos legisladores.
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Se não fossem o futebol, o carnaval e o jogo-do-bicho, o brasileiro aprontaria revoluções de meter medo.
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Como é difícil trancafiar pulhas peculatários nesta Terra de Santa Cruz! O Ministério Público deveria ser mais ativo e o Judiciário mais diligente, no sentido de que o povo não fique a ver navios diante de tantos crimes graves praticados por políticos e homens públicos. Se começássemos pelo Banco Central do Brasil, dar-se-ai enorme conforto à nacionalidade descrente. (2000)
Poucos neste século discursam sobre Ética, sem que se aposteme da alma e da língua.
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Sempre haverá estranhezas num País onde todos desconfiam de todos. Isso ocorre, geralmente, quando se torne sistemática a nomeação de ratos para guardiãos do queijo.(1998)
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As regras econômicas constituem-se como instrumentos de experimentação em vários países. Manejam-nos teóricos vaidosos que fariam melhor se colocassem um abacaxi onde o desejo mais lhes coçasse.
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A consolidação do Poder Judiciário evidencia-se a partir do momento em que faz valer os mandamentos do regramento jurídico, atendendo-se a exigência de não apaniguar poderosos, tampouco dar conversa a bazofeiros de tribuna política. O Brasil anda cheio deles.

PENSAMENTOS DE ANTONIO KLEBER MATHIAS NETTO

Poucas Repúblicas suportariam investigações rigorosas. Nos seus escaninhos, ratos proliferam. É da essência pública dar de comer a roedores. O homem é um depredador nato... de princípios.
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A propalada assistência social no Brasil é um engodo bem articulado nos discursos palacianos. Os oradores são insensíveis a tudo. Menos à própria fome.
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Os neo-liberais nos países de terceiro mundo pedem paciência ao povo diante dos assaltos, estupros e sequestros, delitos que não rondam os palácios, sempre protegidos pela força pública.
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