Em dia de caranguejo, pouco siri.
*
Detesto perguntas fúteis. Há respostas que nascem com o homem.
*
Ao deitar-se, o crápula é ridicularizado pelo travesseiro.
*
O padecimento da alma transluz remissão de pecados. Porém, tolo será aquele que, imaginando-se livre das punições inflexíveis do destino, transforme sua vida em novo roseiral de desatinos. Há mistérios dando conta de que sempre haverá verdugos de plantão. Cuidem-se os negligentes. Remissão de pecados não concede carta de alforria!
*
Virtudes são graças conquistadas por poucos. O que vemos de ordinário são arremedos de virtudes, para cu-jo exercício se prestam alguns objetivando interesses inconfessáveis.
*
Repugno a estratégia do titubeador. Quase nunca sai da casamata. Jamais dispara tiros.
*
Corajosamente, povos inteiros entregaram-se ao cadafalso, em detrimento à capitulação, num repúdio contundente à expectativa de transformarem-se em escravos.
*
A reforma da conceituação da pena poderá, finalmente, pendurar os corruptos na segregação exemplificadora. Do jeito que está, a delinquência gargalha.
*
"Todos são iguais perante a lei". Faz tempo que comem gato por lebre, tangente à criminalidade.
*
Todos os dias, engodadores assumem a tribuna republicana e enchem os ouvidos e a paciência do povo com idiotices. Existe uma platéia oligofrênica batendo palmas. A Democracia necessita a coadjuvância de um nosocômio psiquiátrico.
*
Acendo velas às sextas-feiras. Conheço as galinhas pretas do meu caminho.
*
A insônia dos mentiroso deriva das baratas do esgoto da inconsciência. A ascendência brota imunda; indica que a verdade genética urra no instante do exercício da fisiologia irrefreável do animal. Resumo: O mentiroso é um reles diante das estrelas.
*
A possibilidade de realização plena da alma existe naqueles que desejam a felicidade alheia.
*
Nem todos trazem a mente iluminada. Alguns nasceram e vivem nas escuridades. É mais um jogo que aos poucos se desvenda no processo da criação.
*
Nunca me importei com o gosto atrofiado de alguns críticos.
*
Aquele que teme denunciar erros, que corte a língua. É melhor do que passar por pusilânime sistematicamente.
*
Brasil, país do cargo comissionado. Não conceberíamos dicionários sem o vocábulo ‘nepotismo’. Há outros tantos bem definidos, abrindo as portas do serviço público aos oportunistas do afilhadismo. Enquanto isso, em algum salão palaciano, políticos-filólogos oportunizam aos nossos dicionaristas novas criações. De safadeza em safadeza, o Brasil constrói o maior comboio ferroviário da alegria de que se tem notícia na História Universal. (1996)
*
Pecadores não batem palmas às promessas de penitências. Eis a razão de vaias aparentemente inexplicáveis.
*
A poesia nos permite viagens por caminhos fantásticos, de cujos trajetos jamais gostaríamos de sair.
*
Quando o homem age com consciência e voluntariedade, não deixa rastros duvidosos, seja qual for o conteúdo da ação.
*
Não me importo com o gosto atrofiado de alguns críticos. Escrevo para pessoas comuns.
*
Os vaidosos não se contentam em ser. Eles querem exclusividade, destaque e massagem.
*
Diante do discurso da mediocridade, toda a surdez será homenageada.
*
Não me habilito às grandes amizades. Conheço bem a história dos rompimentos.
*
As tentações que fascinam encontram-se na natureza milenar que move à vida e à eternidade, não nos homens, meros usuários daquelas benesses.
*
Saudável segredo é o que trazemos a sete chaves, indicando-nos como fugir dos chatos e seus correlatos.
*
Só quem superou as tentações viscerais estará apto a enfrentar os caminhos da vida e sentenciar sobre os erros do semelhante.
O ciúme é um ligeiro desconforto que habita entre o amor e o ódio.
*
Ninguém volta de graça. Sempre haverá cobranças pelo retorno.
*
Quando todos se aborrecem diante do discurso da verdade, pressagia-se a deflagração breve de duros confrontos.
*
Somente quem passa pelo inferno de certos instantes capacita-se à avaliação da intensidade do sofrimento. O resto é conversa inútil.
*
Nenhum homem livre sente paixão por déspotas. Seu sentimento é de asco.
*
Entrego-me ao calor da amizade pura, escoltado pelo apreço nutrido pelos que olham nos olhos, transmitindo confiança e verdade.
*
As boas sentenças fazem justiça, ao invés de homenagear a jurisprudência do formalismo.
*
Repugna a idéia de que a condição análoga a de escravo traga felicidade. Essa condição subserviente não favorece a outro sentimento que não o da dor moral.
*
A submissão exitosa é o combustível que anima as festas protagonizadas pelos lacaios.
*
Há uma corriola de terno e gravata que não teve infância. Em consequência, passa as horas vagas (que são muitas) fazendo traquinagens com coisa séria. O pior é que não respeitam a hombridade alheia. De vez em quando, vemos um desses irresponsáveis com a cara na lama.
*
A recidiva dos imbecis requer rudeza de tratamento.
*
Perdoar não significa emprestar condescendência ao perdoado. Em muitos casos, ao perdão segue-se o desprezo.
*
Há governantes que odeiam a pecha de ditador. Sob o fundamento de que a democracia só se legitime mediante o respaldo popular, não há saída para esse tipo de intromissão política. O resto é conversa fiada de
megalomaníaco ou aproveitador.
*
Poucos se movem às pugnas populares por ideal. Atrás da maioria segue o pior inimigo do povo: o interesse inconfessável. Como, porém, acordar a tempo? É difícil. A máscara só cai após arrombado o cofre. Mesmo assim...
*
Não acredito na presunção de capacidade de certos profissionais, só pelo fato de dependurarem na parede um diploma de conclusão de curso técnico ou superior. Essa crença tem levado gente tanto para trás das grades, quanto para o túmulo.
*
Os donos das verdades absolutas, deixo-os falando so-zinhos. Ou com as estrelas.
*
No torvelinho das grandes paixões, as infidelidades costumam passar despercebidas.
*
Não escondo as necessidades proibidas. O veículo das minhas andanças é feito de carne e osso. O combustível é a liberdade sem fronteiras.
*
As amizades puras não pagam ingresso para frequentar o festival das minhas emoções.
*
Os fenômenos naturais guardam muitos segredos. Todos os dias, fatos e acontecimentos mancheteiam verdades indissolúveis.
*
A pureza da alma sempre se permitiu a certas oscilações entre quatro paredes.
*
A serenidade é causa de tempestades avassaladoras. Poucos conhecem a matéria-prima da paz.
*
Em certos homens, a pureza é questão de tempo. O verbo experimentar passa a ser mais forte que qualquer ambiente monástico, no momento em que a natureza exija sua conjugação.
*
Ninguém sustenta a mente tão purificada, considerando-se a vida uma plenitude de paz. A convivência exige resgates. Certos estados da alma só são alcançados numa caverna, em plena solidão, após alguns anos de exílio voluntário.
*
O homem é o centro de todas as coisas, portanto, o maior responsável pelos desastres periféricos.
*
Os mandatários de republiquetas se caracterizam pelos inúmeros conchavos políticos de que participam, ora aquiescentes diante de pedidos inescrupulosos, ora inebriados com a captação de aliados pusilânimes e aproveitadores. Os partidos políticos dessas aldeolas são formados por trânsfugas, cujas bandeiras incolores somente tremulejam diante da oferta de poder.
*
Não mentalizo amizades supérfluas. Irritam-me lembranças fúteis.
*
Desprezo a sapiência astuta. Aprendi que os caminhos dos sábios são feitos de algodão doce e simplicidades.
*
A honra consolidada e a verdade são muralhas intransponíveis, diante das dúvidas da mediocridade.
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Detesto perguntas fúteis. Há respostas que nascem com o homem.
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Ao deitar-se, o crápula é ridicularizado pelo travesseiro.
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O padecimento da alma transluz remissão de pecados. Porém, tolo será aquele que, imaginando-se livre das punições inflexíveis do destino, transforme sua vida em novo roseiral de desatinos. Há mistérios dando conta de que sempre haverá verdugos de plantão. Cuidem-se os negligentes. Remissão de pecados não concede carta de alforria!
*
Virtudes são graças conquistadas por poucos. O que vemos de ordinário são arremedos de virtudes, para cu-jo exercício se prestam alguns objetivando interesses inconfessáveis.
*
Repugno a estratégia do titubeador. Quase nunca sai da casamata. Jamais dispara tiros.
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Corajosamente, povos inteiros entregaram-se ao cadafalso, em detrimento à capitulação, num repúdio contundente à expectativa de transformarem-se em escravos.
*
A reforma da conceituação da pena poderá, finalmente, pendurar os corruptos na segregação exemplificadora. Do jeito que está, a delinquência gargalha.
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"Todos são iguais perante a lei". Faz tempo que comem gato por lebre, tangente à criminalidade.
*
Todos os dias, engodadores assumem a tribuna republicana e enchem os ouvidos e a paciência do povo com idiotices. Existe uma platéia oligofrênica batendo palmas. A Democracia necessita a coadjuvância de um nosocômio psiquiátrico.
*
Acendo velas às sextas-feiras. Conheço as galinhas pretas do meu caminho.
*
A insônia dos mentiroso deriva das baratas do esgoto da inconsciência. A ascendência brota imunda; indica que a verdade genética urra no instante do exercício da fisiologia irrefreável do animal. Resumo: O mentiroso é um reles diante das estrelas.
*
A possibilidade de realização plena da alma existe naqueles que desejam a felicidade alheia.
*
Nem todos trazem a mente iluminada. Alguns nasceram e vivem nas escuridades. É mais um jogo que aos poucos se desvenda no processo da criação.
*
Nunca me importei com o gosto atrofiado de alguns críticos.
*
Aquele que teme denunciar erros, que corte a língua. É melhor do que passar por pusilânime sistematicamente.
*
Brasil, país do cargo comissionado. Não conceberíamos dicionários sem o vocábulo ‘nepotismo’. Há outros tantos bem definidos, abrindo as portas do serviço público aos oportunistas do afilhadismo. Enquanto isso, em algum salão palaciano, políticos-filólogos oportunizam aos nossos dicionaristas novas criações. De safadeza em safadeza, o Brasil constrói o maior comboio ferroviário da alegria de que se tem notícia na História Universal. (1996)
*
Pecadores não batem palmas às promessas de penitências. Eis a razão de vaias aparentemente inexplicáveis.
*
A poesia nos permite viagens por caminhos fantásticos, de cujos trajetos jamais gostaríamos de sair.
*
Quando o homem age com consciência e voluntariedade, não deixa rastros duvidosos, seja qual for o conteúdo da ação.
*
Não me importo com o gosto atrofiado de alguns críticos. Escrevo para pessoas comuns.
*
Os vaidosos não se contentam em ser. Eles querem exclusividade, destaque e massagem.
*
Diante do discurso da mediocridade, toda a surdez será homenageada.
*
Não me habilito às grandes amizades. Conheço bem a história dos rompimentos.
*
As tentações que fascinam encontram-se na natureza milenar que move à vida e à eternidade, não nos homens, meros usuários daquelas benesses.
*
Saudável segredo é o que trazemos a sete chaves, indicando-nos como fugir dos chatos e seus correlatos.
*
Só quem superou as tentações viscerais estará apto a enfrentar os caminhos da vida e sentenciar sobre os erros do semelhante.
O ciúme é um ligeiro desconforto que habita entre o amor e o ódio.
*
Ninguém volta de graça. Sempre haverá cobranças pelo retorno.
*
Quando todos se aborrecem diante do discurso da verdade, pressagia-se a deflagração breve de duros confrontos.
*
Somente quem passa pelo inferno de certos instantes capacita-se à avaliação da intensidade do sofrimento. O resto é conversa inútil.
*
Nenhum homem livre sente paixão por déspotas. Seu sentimento é de asco.
*
Entrego-me ao calor da amizade pura, escoltado pelo apreço nutrido pelos que olham nos olhos, transmitindo confiança e verdade.
*
As boas sentenças fazem justiça, ao invés de homenagear a jurisprudência do formalismo.
*
Repugna a idéia de que a condição análoga a de escravo traga felicidade. Essa condição subserviente não favorece a outro sentimento que não o da dor moral.
*
A submissão exitosa é o combustível que anima as festas protagonizadas pelos lacaios.
*
Há uma corriola de terno e gravata que não teve infância. Em consequência, passa as horas vagas (que são muitas) fazendo traquinagens com coisa séria. O pior é que não respeitam a hombridade alheia. De vez em quando, vemos um desses irresponsáveis com a cara na lama.
*
A recidiva dos imbecis requer rudeza de tratamento.
*
Perdoar não significa emprestar condescendência ao perdoado. Em muitos casos, ao perdão segue-se o desprezo.
*
Há governantes que odeiam a pecha de ditador. Sob o fundamento de que a democracia só se legitime mediante o respaldo popular, não há saída para esse tipo de intromissão política. O resto é conversa fiada de
megalomaníaco ou aproveitador.
*
Poucos se movem às pugnas populares por ideal. Atrás da maioria segue o pior inimigo do povo: o interesse inconfessável. Como, porém, acordar a tempo? É difícil. A máscara só cai após arrombado o cofre. Mesmo assim...
*
Não acredito na presunção de capacidade de certos profissionais, só pelo fato de dependurarem na parede um diploma de conclusão de curso técnico ou superior. Essa crença tem levado gente tanto para trás das grades, quanto para o túmulo.
*
Os donos das verdades absolutas, deixo-os falando so-zinhos. Ou com as estrelas.
*
No torvelinho das grandes paixões, as infidelidades costumam passar despercebidas.
*
Não escondo as necessidades proibidas. O veículo das minhas andanças é feito de carne e osso. O combustível é a liberdade sem fronteiras.
*
As amizades puras não pagam ingresso para frequentar o festival das minhas emoções.
*
Os fenômenos naturais guardam muitos segredos. Todos os dias, fatos e acontecimentos mancheteiam verdades indissolúveis.
*
A pureza da alma sempre se permitiu a certas oscilações entre quatro paredes.
*
A serenidade é causa de tempestades avassaladoras. Poucos conhecem a matéria-prima da paz.
*
Em certos homens, a pureza é questão de tempo. O verbo experimentar passa a ser mais forte que qualquer ambiente monástico, no momento em que a natureza exija sua conjugação.
*
Ninguém sustenta a mente tão purificada, considerando-se a vida uma plenitude de paz. A convivência exige resgates. Certos estados da alma só são alcançados numa caverna, em plena solidão, após alguns anos de exílio voluntário.
*
O homem é o centro de todas as coisas, portanto, o maior responsável pelos desastres periféricos.
*
Os mandatários de republiquetas se caracterizam pelos inúmeros conchavos políticos de que participam, ora aquiescentes diante de pedidos inescrupulosos, ora inebriados com a captação de aliados pusilânimes e aproveitadores. Os partidos políticos dessas aldeolas são formados por trânsfugas, cujas bandeiras incolores somente tremulejam diante da oferta de poder.
*
Não mentalizo amizades supérfluas. Irritam-me lembranças fúteis.
*
Desprezo a sapiência astuta. Aprendi que os caminhos dos sábios são feitos de algodão doce e simplicidades.
*
A honra consolidada e a verdade são muralhas intransponíveis, diante das dúvidas da mediocridade.
